A
ESCOLA QUE TEMOS
Através da formação continuada o corpo docente
estuda maneiras de dinamizar as aulas para auxiliar o educando a sistematizar
seu conhecimento através de muito questionamento, proporcionando o
desenvolvimento da habilidade de pensar,ou seja, fazer com que tanto educando
quanto educador aprendam a aprender.
Como
a comunidade interna é muito heterogênea, convive-se com educandos que não apresentam
o mínimo interesse em ampliar seus conhecimentos em nenhuma das áreas.
Acredita-se que o fato ocorre porque muitos são oriundos de famílias totalmente
desestruturadas e carentes de valores morais, sociais, religiosos e
financeiros.
Observa-se
também, que entre as famílias que compõe a nossa realidade, em sua maioria, não
participam e nem priorizam a educação de seus filhos. Um pequeno número
responde a convocações as reuniões e participam dos eventos escolares. Vindo a
escola apenas para tratar de assuntos relacionados a indisciplina, quando
notificados, não se interessando nem mesmo pelos boletins e relatórios avaliativos. Por outro lado também
não se preocupam em acompanhar tarefas de casa, trabalhos escolares,participar
de eventos e reuniões, etc.
Entre
as novas posturas adotadas pela escola, a fim de participar aos pais sobre o
rendimento escolar, acontecimentos ou dificuldades que seus filhos venham tendo
durante o ano letivo, professores, equipe pedagógica funcionários num esforço
conjunto, telefonam sempre que possível para prestar informações sobre estes
fatos, recebendo uma resposta positiva em relação ao posicionamento dos pais em
relação a escola. Tornou-se nossa meta, reforçar os mecanismos de comunicação
da escola com a família.
A baixa escolaridade dos pais, segundo
o estudo já mencionado, justifica
exposto
acima, vem a ser um outro empecilho na valorização da educação que os filhos
recebem na escola, pois a maioria das famílias não possuem expectativas ou perspectivas
de futuro na formação de seus filhos, visto que alguns, já atingiram no final
do segundo ciclo, um maior grau de conhecimento que seus pais e às vezes,
superior aos integrantes das suas comunidades de origem. Em relação à
freqüência dos filhos, a preocupação com o recebimento da bolsa-família,
resolveu em grande parte o problema, mas não totalmente.
Outro fator preocupante dentro da
nossa realidade é a evasão de alunos, na maioria, do sexo masculino, que a
partir dos 14 anos, abandonam os estudos para trabalhar e contribuir com o
orçamento doméstico, fenômeno que passa a correr acentuadamente já no início do
ensino médio.
Por ser uma cidade essencialmente
agrícola, há o problema de faltas dos alunos que moram em fazendas nas
temporadas de plantio e colheita, visto que muitos alunos deixam de vir a
escola para auxiliar a família na
lavoura. Prejudicando sensivelmente o rendimento escolar destes
estudantes.
Além das situações explicitadas acima,
os problemas como, gravidez precoce, somados a uma baixa infraestrutura social
vem a se somarem aos principais motivos da evasão escolar.
A falta de uma estrutura na área de
saúde para encaminhamento de alunos com dificuldades e distúrbios de
aprendizagem, comportamento e conduta, para a correta avaliação clínica por
médicos especialistas, tem dificultado o encaminhamento de alunos com possíveis
necessidades especiais para atendimento pedagógico educacional adequados,
fazendo com que estes alunos permaneçam nas salas de aula sem atendimento
especializado, dificultando o desenvolvimento dos trabalhos pedagógicos em sala
de aula, que sem a orientação correta e adequada para cada caso, os professores
ficam sem saber como agir.
Dentro desta difícil realidade, tem
que se incluir ainda, as dificuldades
profissionais
da maioria dos professores, que enfrentam três jornadas de trabalho para darem
conta de seu orçamento doméstico.
Formação
Continuada vem contribuir para a busca de soluções para esses problemas e
podemos afirmar, que já houve algumas mudanças significativas,
como
por exemplo, o aumento do número de profissionais que estão, neste
momento,
participando do Projeto “Sala de Professor”. A observação
nos
mostra, que estas participações não estão limitadas entre os profissionais que precisam
de pontuação para atribuição de aulas
no ano seguinte, pois a grande maioria já possui vaga garantida através de concurso,
a formação continuada trouxe uma nova mentalidade
e postura profissional, despertando entre muitos, a consciência da necessidade
de atualizações constantes para o enfrentamento dos desafios que a atual
sociedade nos coloca. A prova são os resultados alcançados pela escola nos últimos
anos, provando haver uma real melhoria na qualidade de ensino. Embora ainda não
seja o ideal, nos aproxima mais dos objetivos desejados.
A
evasão escolar, tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio,
apesar
de ter diminuído, é ainda muito alta e constitui hoje num grande desafio a ser vencido,
pois a maioria dos fatores que influenciam na permanência do aluno em sala de
aula, como foi visto anteriormente, extrapolam os limites da escola. Cabendo portanto,
a nós profissionais, procurar junto com a comunidade escolar, soluções e alternativas,
no sentido de minimizar os efeitos dos mesmos sobre nossos alunos.
Professora: Denise Dalberto